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20 de junho de 2012

Além do Arco-Íris

A imagem do arco-íris me fascina, não só a que percebo com a visão dos meus olhos num plano conceitual, mas a visão que tende a ser fantasiosa, não por inventar, mas por manter um mundo de fantasia. Assim, com os olhos fantasiados, eu vejo o arco-íris e os cuidados que a natureza tem em projetar a sua obra de arte nos céus, sua exibição charmosa de talento.
O que criamos a partir deste mundo fantasioso fica em nossos corações, não apenas em nossas memórias do arquivo no cérebro. Cérebro foi feito para pensar, não para sentir, eu coloco meus sentimentos no peito, como todos deveriam fazer, mas não fazem, fica minha crítica. Enfim, é possível viver sonhos através de visões fantasiadas, criar o mundo mais belo com todo o suporte que a vida nos dá, esta magnífica artista. Eu penso em meu humilde conhecimento que o que está rotulado é superficial, eu sempre vivo no desconhecido, prefiro descobrir do que me digam como é, não quero contextos de temas jogados ao acaso, quero a percepção de sentir o mundo ao meu redor, uma vez li em uma história infantil, histórias estas que adultos deveria ler também, sobre os modos de descobrir que o mundo é redondo, são apenas duas, na história o coelho Joãozinho descobriu isto, não pela primeira maneira que é lendo em livros, estudando o mundo, mas pela segunda, cheirando o mundo. Eu quero cheirar o mundo, quero ir atrás dos meus sonhos.
Sou assim, não tenho culpa, nem quero que me julguem ou definam, meus sentimentos se expressam por letras no papel, por palavras no ar, por gestos em tudo. É bem verdade que já escutei muitas vezes que eu deveria crescer, deveria me ligar as coisas que realmente importam, sou bem capaz de falar um palavrão agora dirigido à quem me diz isto, mas estragaria a locução do meu texto. Prefiro pensar que meu mundo é meu mundo, também é seu, mas no momento em que você tenta atacar meu reino, entramos em guerra, não quero isto, mas é tão inconveniente ser recebido por um "Meu Deus, você tem quantos anos mesmo!?", foda-se (olha aqui o palavrão... estraguei a locução, isso até rima, às vezes um palavrão serve de matéria-prima.). Não vou estender as minhas críticas, não gosto de fazer críticas, prefiro zelar pelo espaço de cada um, assim como não vou querer saber de ninguém que comecei falando do arco-íris e cheguei a uma defesa do meu ponto de vista sobre a minha mentalidade, não acredito na enquadração dos momentos, falo o que quero e quando quero, pois se não depois esqueço.
Aos meus olhos, os da visão normal mesmo, vejo as pessoas todas quadradas, querendo se encaixar em um espaço e ali permanecer, eu não sou assim, não tenho forma. Aprendi a muito tempo que ninguém consegue me mostrar o que eu quero, apenas eu posso ir lá e pegar. Por isso não tenho forma, não me enquadro, o que eu quero você não pode me oferecer de pronta entrega. Meu mundo está aberto para visitas, não pensem que sou pouco sociável, muito pelo contrário, não significa que por eu não ter forma o mundo é apenas meu, eu divido, nem sou dono dele mesmo, estou apenas de passagem, sou mero caminhante.
Tomei algumas decisões que influenciaram nestas minhas passagens pelo mundo, uma delas vou contar neste relato, é a minha vontade de contar histórias! Eu confesso que a maioria das empreitadas que enfrento não faço ideia do que seja, eu apenas vejo e fico frente a frente, então só neste momento ou posteriormente que irei perceber o que significa pra mim, este é meu espírito, não questiono muito mesmo, como disse vou lá é faço, não deixo o argumento me amarrar. Então, neste mundo de contadores de histórias percebi que mais pessoas apresentam a mesma visão que eu tanto defendo, a de olhar com a alma, de fantasiar! Relato de coração que contar histórias é maravilhoso, ainda mais quando alguém, como eu, que gosta de falar encontra alguém disposto a ouvir, mas estou aprendendo a ouvir também, são duas práticas nobres! Tanto que atualmente participo de um grupo chamado Ouvir e Contar.
Contudo, não vou me ater ao fato do trabalho voluntariado e o que faço, quero encerrar propondo um desafio, quero que saiam de suas zonas de conforto, aliás, não sou eu que quer é você quem quer. Levante-se, respire, abra os olhos da fantasia e veja o mundo, não existe nada que não seja belo, você está vivo, esta condição por si só já dita a sua felicidade, aliás, não pense que o desencarne é o momento em que perderá a beleza de viver, pelo contrário, o desencarne é uma jornada para outro mundo, eu vejo o mundo do ponto de vista de um passageiro, se vou voltar pra cá outra vez, não sei, mas que irei para outro lugar um dia, isto eu sei, não sei quando nem onde é, mas não vou ficar esperando ansioso por este momento, pois aqui estou, agora, sou passageiro deste mundo e estou de olhos abertos, posso sentir, posso fantasiar, eu vivo um sonho além do arco-íris pintado no céu caprichosamente pela vida. Eu amo!


16 de maio de 2012

No topo do prédio

Super Garoto,
sem poderes, 
arqui inimigos, 
não tem história.
Donzela não há, 
disfarce pra que?
Música não têm,
nem sabe rimar.
Só quis escrever assim,
porque linha sobre linha
constrói um prédio e fica lá em cima,
soberano nessa estrutura nem um pouco arcaica.
Só para os críticos não dizerem que a base é fraca,
no esquema A-B-B-A, aqui está a minha rima.

Rodrigo Melo

Hora cheia, hora vazia, vazio de hora, cheio de hora

Como se eu realmente esquecesse de tudo, até parece que palavras ao vento somem... Elas não somem, apenas não caem ao seu lado, voam um pouco antes de cair.
Estava observando, algum tempo atrás, o voo destas palavras que lancei ao vento, como se fossem crianças em um escorregador, do ponto mais alto, vão descendo em um deslize para o chão. 
Andei um pouco, fui atrás das palavras, juntei-as, joguei tudo de volta ao vento e repeti esta brincadeira por horas e horas. Isso tereia alguma serventia? Não sei, aliás, têm uma, passar o tempo, mas não acontece da maneira certa. Palavras ao vento tem um efeito diferente pra mim, ela fazem tudo ficar mais devagar, o tempo não passa, fica estagnado.
Na minha cabeça a imagem da mesa de jantar, longa e com muitas cadeiras, uma toalha que transborda a mesa, um copo de água no centro da mesa, a mosca voando em volta dele em seu incansável balé. Uma das cabeceiras encostada na parede e subindo o olhar pela parede, um relógio branco, ponteiros pretos que sempre marcam o mesmo horário, jogam na minha cara que estão parados, me dizem "Olhe pra cá, não vê que estamos presos neste fundo branco, o tempo não se desmanchará na sua face, fique sentado bem aonde está e tome um gole de água.". Não queria adiantar estes ponteiros, mas quem sabe se eu voltasse eles... Acho que não, melhor assim, palavras ao vento, parei de correr atrás delas, deixarei elas se perderem no mundo.
Engraçado eu falar tanto do tempo, quem sabe eu realmente queira que ele passe, talvez queira voltar nele... Não sei ao certo, os ponteiros continuam lá, toda vez que se mechem fazem um "tééék!" e eu olho para o relógio, mas não percebo nada, incrível, parecem estar no mesmo lugar, não é tão incrível assim, acho que é aquilo que chamamos de rotina.

21 de abril de 2012

Moro no Mar

Sinto o mar em mim, escuto as ondas, elas me abraçam, me beijam, me deito na areia e estou em seu colo, estou protegido e calmo, pois Iemanjá é minha Mãe, ela me abraça forte, me beija, me ama.
O Amor que procuro incessavelmente estava mais próximo de mim do que poderia imaginar. Esquecemos no dia a dia de perceber o que realmente importa, estou sendo amado e estou amando, sinto Iemanjá em mim, sinto o Amor verdadeiro. Fazem alguns dias que sinto o inexplicável, algo maior que tudo já percebido por mim, apenas sei que é Iemanjá presente na minha alma, presente no meu coração.
Minha emoção nunca foi tão grande, meus olhos nunca brilharam tanto, meu espírito sorri para a Senhora dos Mares. Assim, sendo amado e amando, fui morar no mar, quero caminhar na areia de mãos dadas com Iemanjá, vamos catar conchas e dançar no mar, eu te amo, Alodê, Odofiaba, minha Mãe, Mãe d'Água, Odoyá!


18 de abril de 2012

Sei lá, sei cá

O ser racional, racional é preciso ser, mas e eu com isso? Não acredito na racionalidade, não acredito na razão como marco histórico, não sei o que é razão, apenas conheço o que me disseram ser, porém tenho o direito de duvidar e assim faço.
Por vezes me flagro observando a vastidão do nada, não sei bem o que faço lá, sei que existe sim conhecimento no nada, sei que consigo parar o tempo nestas viagens. Observo de tudo, uma das coisas que mais aprecio é observar. Ainda outro dia observava um passarinho parado em frente a uma janela espelhada em um prédio, o passarinho ali pousou e se assustou ao perceber que em sua frente havia outro igual a ele, "Como assim!? Eu cheguei aqui primeiro! Saia" então começou a bicar o vidro. Aquele pássaro me permitiu uma reflexão, até que ponto enxergamos que os conflitos que criamos, são na verdade contra nós mesmo, o único derrotado que existe é você que se bica no espelho, os golpes acertam à sua própria aparência.
Tente mudar isso, tente esquecer a aparência e acreditar mais na essência. O pássaro não se reconhece, o pássaro acredita em um mundo paralelo, um mundo copiado, imitado, ele apenas luta contra isso, não culpo ele, eu o entendo, pois é diferente de nós, pois nós conhecemos o mundo, conhecemos e desconhecemos, somos racionais e irracionais, vivemos rodeados de "sei lá", buscamos o "sei cá", procura tola, nunca acharemos nada. O que buscamos não deve ser procurado, é invisível aos olhos, até aos mais treinados, mais refinados, mais aguçados, o que buscamos já temos, só não sabemos, a racionalidade nos atrapalha.

29 de março de 2012

Leminskiando

Até Mais

Até tu, matéria bruta,
até tu, madeira, massa e músculo,
vodka, fígado e soluço,
luz de vela, papel, carvão e nuvem,
pedra, carne de abacate, água de chuva,
unha, montanha, ferro em brasa,
até vocês sentem saudade,
queimadura de primeiro grau,
vontade de voltar pra casa?

Argila, esponja, mármore, borracha,
cimento, aço, vidro, vapor, pano e cartilagem,
tinta, cinza, casca de ovo, grão de areia,,
primeiro dia de outono, a palavra primavera,
número cinco, o tapa na cara, a rima rica,
a vida nova, a idade média, a força velha,
até tu, minha cara matéria,
lembra quando a gente era apenas uma idéia?

Paulo Leminski, do Livro Distraídos Venceremos

27 de março de 2012

Tudo Parado

Tempo, tempo, tempo, tic tac tic tac, tempo! Acompanhado do silêncio o tempo consegue derrubar qualquer um! A rocha mais firme se parte ao esperar calada pela eternidade, essa que dura uma fração de segundo, mas que se estende por anos a fio. 
Bastaria uma palavra para o tempo tornar-se algo diferente, ao invés de ditador, tornaria-se amigo, esperaria junto comigo outra palavra! Porém, outro entra na roda para brincar, o medo, então o tempo esquece de mim e volta a me derrubar! Agora, somos eu, o tempo, o silêncio e o medo, uma combinação terrível! Alguém me explique o que está acontecendo, ou pelo amor dos seus relógios, me ajudem! 
Ainda ontem fugi daqui pois estava com o medo, conversávamos eu e o medo, o medo e eu. ele não é maldoso, mas aconteceu, o medo não sabe que atrapalha as pessoas. Então hoje voltei aqui, o medo continua comigo, ele até está mais presente hoje do que ontem, mas acredito que não existem razões ou emoções para me preocupar tanto, vou liberar as barragens que criei e deixar a água toda fluir de volta. Que sabe o medo para de me atrapalhar, o silêncio seja um pouco mais barulhento e o tempo não seja cruel comigo.

Merda

Ah as expectativas, essa merda que me consome, mal abro o olho e já estou com o pensamento longe. Passo o dia em um monólogo sem fim. O coração quer sair pela boca, mas não sai, está acorrentado, não tenho a chave, nem sei quem tem! Não faço a menor ideia do que irá acontecer, não sei o que é, foi ou será, só sei que isso é uma merda! Como dizia Leminski

Merda e Ouro

Merda é veneno.
No entanto, não há nada
que seja mais bonito
que uma bela cagada.
Cagam ricos, cagam pobres,
cagam reis e cagam fadas.
Não há merda que se compare
à bosta da pessoa amada.

26 de março de 2012

Sei lá o título disso

Eu queria escrever, então vim até aqui, mas fiquei com medo e estou voltando, outra hora escrevo... tchau!

27 de fevereiro de 2012

Ode à Loucura

Alguns citam o mundo real, outros me chamam de louco, dizem que devo ser mais racional, mais adulto. Eu discordo, você é quem deve ser menos racional e mais demente, não é preciso voltar a ser criança, mas não esqueça que foi uma.
A ordem do pensamento por vezes me confunde, me confunde tanto que penso através da desordem, apenas penso, um dia se os fatos se correlacionarem eu os ligo, ou não. Volta e meia me flagro observando os detalhes que passam despercebidos, analiso eles de vários ângulos e perspectivas, chego a uma conclusão, nada concluí, nem preciso, apenas observei, basta isso!
Não existe necessidade nenhuma em rotularmos pensamentos, eu quero viver com a loucura para sempre, com a demência, meu charme. I'm a Gentleman!



26 de fevereiro de 2012

Sou um Amador

Como dizia Lispector "Eu não sou uma profissional, eu só escrevo quando eu quero. Eu sou uma amadora e faço questão de continuar sendo uma amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo, consigo mesmo, de escrever, ou então com o outro, em relação ao outro. Agora eu faço questão de não seu um profissional, pra manter minha liberdade."
As vezes me questiono sobre deixar o blog as traças, cheirando a mofo e com postagens empoeiradas. Mas depois a autocrítica passa, eu lembro que já escrevi algumas coisas anteriores as mais novas e que gosto de ler o que já está velho, aliás, não está velho, está maduro, o que escrevo agora está verde, só irei sentir o sabor doce depois.
Continuarei sendo assim, esperando o verde ficar maduro, esperando minha safra de textos estar na temporada, afinal, sou um amador, como diz Lispector, eu escrevo pra manter minha liberdade.

14 de janeiro de 2012

Eyes in the Heat

Não acredito no significado das palavras, nem nas formas, tudo que fizemos até hoje nem ao menos conseguimos saber se tem sentido, pois a palavra sentido foi inventada, vivemos um realidade inventada, o inventado foi inventado... Não confio nem mesmo no que vejo, apenas vejo e nem pretendo entender. 
Observar pra mim não é acompanhado de tirar uma conclusão, vivo no vago, as letras fazem filas no papel e as formas compõe uma coreografia que as vezes é sincronizada, mas as vezes é toda atrapalhada, porém sempre me agrada. A música toca meus ouvidos e balança meu espírito, dançar pra mim é o que o som faz no ar até chegar em meus ouvidos. Não sei de nada, eu observo, eu escuto, eu sinto. Já que as palavras existem, eu as uso do meu modo e jogo as palavras como quero no papel ou neste pedaço branco que não consigo rasurar.

POLLOCK. Eyes in the Heat - 1946; Oil on canvas, 54 x 43 in; Peggy Guggenheim Collection, Venice.