Como se eu realmente esquecesse de tudo, até parece que palavras ao vento somem... Elas não somem, apenas não caem ao seu lado, voam um pouco antes de cair.
Estava observando, algum tempo atrás, o voo destas palavras que lancei ao vento, como se fossem crianças em um escorregador, do ponto mais alto, vão descendo em um deslize para o chão.
Andei um pouco, fui atrás das palavras, juntei-as, joguei tudo de volta ao vento e repeti esta brincadeira por horas e horas. Isso tereia alguma serventia? Não sei, aliás, têm uma, passar o tempo, mas não acontece da maneira certa. Palavras ao vento tem um efeito diferente pra mim, ela fazem tudo ficar mais devagar, o tempo não passa, fica estagnado.
Na minha cabeça a imagem da mesa de jantar, longa e com muitas cadeiras, uma toalha que transborda a mesa, um copo de água no centro da mesa, a mosca voando em volta dele em seu incansável balé. Uma das cabeceiras encostada na parede e subindo o olhar pela parede, um relógio branco, ponteiros pretos que sempre marcam o mesmo horário, jogam na minha cara que estão parados, me dizem "Olhe pra cá, não vê que estamos presos neste fundo branco, o tempo não se desmanchará na sua face, fique sentado bem aonde está e tome um gole de água.". Não queria adiantar estes ponteiros, mas quem sabe se eu voltasse eles... Acho que não, melhor assim, palavras ao vento, parei de correr atrás delas, deixarei elas se perderem no mundo.
Engraçado eu falar tanto do tempo, quem sabe eu realmente queira que ele passe, talvez queira voltar nele... Não sei ao certo, os ponteiros continuam lá, toda vez que se mechem fazem um "tééék!" e eu olho para o relógio, mas não percebo nada, incrível, parecem estar no mesmo lugar, não é tão incrível assim, acho que é aquilo que chamamos de rotina.