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18 de agosto de 2013

Azul

Azul profundo,
atravessa o céu
e no mar vai fundo.

Final Feliz sem Fim

O mais belo de viver uma história está na emoção, um sentimento rápido e intenso. A busca pela felicidade, o final feliz, deve ser constante. Não devemos desistir de encontrar o final feliz, além disso, após encontrar algo que nos traga felicidade, não devemos desistir de novas buscas. A ansiedade de encontrar tudo aquilo que sempre desejei me mantém vivo. A ansiedade de buscar novas emoções me abre os caminhos para continuar. Viver é mais do que encontrar, é muito mais buscar.

"Quem me dera
um mapa do tesouro
que me leve até um velho baú
cheio de mapas do tesouro"

Paulo Leminski

4 de agosto de 2013

Meu coração está sempre verde,
nunca maduro.
Hoje o golpe foi duro.
O que reside meu âmago
Já foi um dia o que eu amo,
Pois amor não acaba assim,
Como mágica de pirlimpimpim.
Chega o outono e a folha cai do galho,
mas meu coração quase cheio de amor,
Fica onde está, se completa de dor
Proteção, só mesmo um agasalho.

Sobrado D'água

Habito o mar e ele me habita, uma morada além de onde as ondas nascem, mas a porta de entrada fica onde elas quebram. Meu quintal tem corais e peixes-borboleta. Minha rua é a areia. Tenho uma morada repouso, lugar que me conforta, onde me encontro e encontro-me, no fundo do mar ou sobre as ondas.

O Moinho

Cavalgamos ao lado de reis, linhagem posta ao lado de nobres, eu e meu pangaré, avante Dom Quixote e Sancho Pança, meus companheiros de batalha! Os reis tomam a dianteira para mostrar bravura, mas nós, os medrosos, colocamos de lado as espadas e sacamos a imaginação, matando um dragão por dia.

Outono Outra Vez

Os jardim são todos iguais no outono, a grama do vizinho nunca será mais verde nesta estação. As folhas estão caídas e cobrem todo o chão, marrom sobre o verde, o vento gelado sopra contra o meu rosto, porém para as folhas ele é inofensivo, nem chega a fazê-las tremer.
Um retrato da estação pálida, porém cheia de vida aos olhos atentos. Na parede inteira de um prédio, como dizia Leminski "uma poesia pichada, nasce uma flor na cidade." está a frase de um famoso filme, O Iluminado, "Só trabalho sem diversão faz do Jack um bobão". Pessoas que passam sem notar o aviso estampado no prédio.
Passear pela cidade é minha diversão, todos os dias desfaço a rotina. Faço como, novamente, dizia Leminski "Não discuto com o destino. O que pintar eu assino.".

18 de abril de 2013

Quem Me Dera Ao Menos Uma Vez

Perdido no tempo, largado a ruína de uma civilização, abandonado no breu, mas sem medo, apenas aquela angústia por não sentir o tempo passar e ouvir demais o próprio pensamento.
É como se eu andasse na chuva acompanhado da sensação de sentir-se seguro e confortado com a chuva ao meu redor ou o vento que me abraça, às vezes ele tenta me levar, não sei pra onde, um dia me entrego e descubro. QUem me dera ao menos uma vez entender, apenas entender.
 
Lembro da música Índio do Legião Urbana e destaco o seguinte:

"Quem me dera ao menos uma vez
Explicar o que ninguém consegue entender
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não não é mais como era antigamente" 

[...]

"Que me dera ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes"


30 de março de 2013

Cidade Fria e Muda


Curitiba e seus 320 anos, pois bem, não sei ao certo o que isso significa, já que não a conheci por 300 anos, mas acho que nada mudou nos últimos 20. Frio e pinhão, pinhão e frio.
Todo ano o inverno chega e a cidade continua muda, mas com classe. Pessoas vão e vem, porém só de passagem, ninguém para, todos passam. É fácil acompanhar o encanto aos clichês, tudo é tão previsível. 
Dizem que o inverno é bonito, um cobertor para aquecer e chá ao anoitecer. Mas a cidade é fria e muda. A cidade não acompanha quem se coloca de lado, a cidade anda rápido e de cabeça erguida, não possui tempo para os marginais. Começo a entender Leminski quando ele diz:

Marginal é Quem Escreve à Margem

Marginal é quem escreve à margem,
deixando branca a página
para que a paisagem passe
e deixe tudo claro à sua passagem.

Marginal, escrever na entrelinha,
sem nunca saber direito
quem veio primeiro,
o ovo ou a galinha.

Paulo Leminski, do livro Distraídos Venceremos