Curitiba e seus 320 anos, pois bem, não sei ao certo o que isso
significa, já que não a conheci por 300 anos, mas acho que nada mudou nos
últimos 20. Frio e pinhão, pinhão e frio.
Todo ano o inverno chega e a cidade continua muda, mas com classe.
Pessoas vão e vem, porém só de passagem, ninguém para, todos passam. É fácil
acompanhar o encanto aos clichês, tudo é tão previsível.
Dizem que o inverno é bonito, um cobertor para aquecer e chá ao
anoitecer. Mas a cidade é fria e muda. A cidade não acompanha quem se coloca de
lado, a cidade anda rápido e de cabeça erguida, não possui tempo para os
marginais. Começo a entender Leminski quando ele diz:
Marginal é Quem Escreve à Margem
Marginal é quem escreve à margem,
deixando branca
a página
para que
a paisagem passe
e deixe
tudo claro à sua passagem.
Marginal,
escrever na entrelinha,
sem nunca
saber direito
quem veio
primeiro,
o ovo ou a galinha.
Paulo
Leminski, do livro Distraídos Venceremos