Essa é minha fuga, já não enfrento mais essa angústia, tornei-me um covarde e resolvi fugir. Pode não ser nem um pouco heróico, mas não carrego um brasão no peito, muito menos uma capa nas costas ou uma espada e um escudo, sou apenas um homem.
Escrevendo estas linhas pelo menos alivio um pouco o que sinto, mesmo que não queira compartilhar com ninguém o que é, mesmo assim, isso é um monstro que me ataca quando vou pro escuro. O faço é apenas tentar ascender uma luz, quem sabe ele me deixe livre por alguns momentos e eu possa respirar alguns segundos, sem ser ofegante, e então eu possa correr para longe. Sofrer é inevitável, mas o que seria de mim sem a dor!?
Quem sabe ao estar fugindo eu não esteja sendo um covarde, quem está julgando sou eu, ainda não sei o que sou, apenas sei que fiquei preso em um mundo aonde tudo parece belo, mas apenas parece. O tempo não passa aqui, olhar o relógio me causa agonia. Lá fora uma senhora caminha todos os dias, levando suas compras pra casa, ela nunca envelhece, sempre caminha assoviando, me cumprimenta e segue seu caminho, que é o mesmo todos os dias.
Sinceramente, não faço a mínima ideia de aonde estou, aqui os ventos nem sempre são calmos-calmantes. Estou correndo a mais de meia hora, não olhei para trás, não sei aonde vou chegar, estou cansado, mas não vou parar, estou fugindo! Quero reencontrar os ventos que acalmam.