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30 de março de 2013

Cidade Fria e Muda


Curitiba e seus 320 anos, pois bem, não sei ao certo o que isso significa, já que não a conheci por 300 anos, mas acho que nada mudou nos últimos 20. Frio e pinhão, pinhão e frio.
Todo ano o inverno chega e a cidade continua muda, mas com classe. Pessoas vão e vem, porém só de passagem, ninguém para, todos passam. É fácil acompanhar o encanto aos clichês, tudo é tão previsível. 
Dizem que o inverno é bonito, um cobertor para aquecer e chá ao anoitecer. Mas a cidade é fria e muda. A cidade não acompanha quem se coloca de lado, a cidade anda rápido e de cabeça erguida, não possui tempo para os marginais. Começo a entender Leminski quando ele diz:

Marginal é Quem Escreve à Margem

Marginal é quem escreve à margem,
deixando branca a página
para que a paisagem passe
e deixe tudo claro à sua passagem.

Marginal, escrever na entrelinha,
sem nunca saber direito
quem veio primeiro,
o ovo ou a galinha.

Paulo Leminski, do livro Distraídos Venceremos