A Exatos 103 anos Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas tornaram-se precursores da Umbanda sagrada.
Sou novo nessa caminhada, pelo menos nesta vida, não me recordo das anteriores, então me considero no começo da caminhada. Mas irei escrever o que sinto neste caminho e como entrei nele.
Tudo começou pra mim no final do ano passado, quando meu irmão comentava sobre o Terreiro do Pai Maneco e eu com preconceito não me interessava em ir lá, até que em certo momento, no dia da tradicional festa Não Bata a Cabeça a Toa, meu irmão me convidou para ir e eu resolvi aceitar o convite, me senti bem por aceitar.
Chegando no Terreiro, era um dia de festa, todos estavam alegres, o que não é diferente nos dias de Gira, é disso que gosto lá, a alegria contagia. Havia uma tenda grande montada num determinado espaço e dentro dela um palco com música e várias cadeiras, o Terreiro estava cheio. Foi a música que me contagiou primeiramente, eu senti uma paz em estar lá e os sons pareciam entoados por Deus. Minha infância e adolescência passei pedindo milagres a Deus e naquele momento eu presenciava um, eu escutava os tambores e eles me chamavam, me chamavam no ritmo do meu coração... tum... tum... tum... me faziam agradecer e não mais pedir.
A festa foi linda, o ano se encerrou e eu fiquei curioso para ver uma gira, queria saber como tudo acontecia. Meu irmão me levou na primeira gira do ano, chegamos atrasados e estava muito cheio, decidimos por voltar outro dia, fiquei frustrado. Voltamos em um outro dia, era Gira de Exú, minha primeira Gira... Não consultei, mas fiquei encantado com tudo, o que todos temiam e até mesmo eu, acabou por me encantar, os Exús e Pombas Gira.
Soube que o Pai Beco abriria uma gira a tarde e já que era um horário disponível pra mim resolvi ir, sem conhecimento nenhum, mas com determinação e Fé. Na primeira Gira do Pai Beco à tarde eu estava presente, tinha pouca gente, mas pra mim foi magnífico, eu resolvi voltar. Assim foi durante algumas semanas, eu ia me consultar, não sabia o que conversar, mas sempre fluía. Certo vez era Gira de Boiadeiro, a única Gira de Boiadeiro que fui até hoje, (pois as linhas neutras estão suspensas por tempo indeterminado no Terreiro do Pai Maneco) achei bonito demais, tocavam modas de viola. Na minha vez de consultar, conversando com a entidade ela me pediu pra fechar os olhos, tocou em meu peito, em minha cabeça e eu comecei a me deitar para trás, não era como se me empurrassem ou se me puxassem, eu estava deitando, sentia meu corpo começar a levitar, então o Boiadeiro me puxou pelo braço, me pediu para abrir os olhos e disse "vai vestir branco quando, filho?", pra mim foi uma surpresa, eu sentia vontade de estar lá, mas tinha vergonha de manifestá-la, fazia pouco tempo, eu não estava certo do que queria, mas essa pergunta me desestabilizou, perguntei ao boiadeiro "desenvolver minha mediunidade?", ele acenou com a cabeça dizendo sim, então eu disse que não sabia quando seria, precisava acertar as coisas fora do Terreiro e comigo mesmo, ele me falou "Não tem problema filho, a gente espera...", saí de lá pensando nisso.
Ao passar do tempo as entidades iam me perguntando cada vez mais quando eu vestiria o branco, mas sempre lembrando que era importante que eu vestisse branco por dentro primeiramente. Me falaram que quando fosse a hora eu perceberia, não adiantava eu ser afoito. Então a hora chegou, apesar de estar a pouco tempo no Terreiro, acumulei conhecimento em pouco tempo, fiz alguns cursos no Terreiro e fui conversar com o Pai Bitty, da Gira de sábado e resolvi entrar, assisti 7 giras antes de entrar, pareciam intermináveis 7 giras.
Chegou o dia de vestir branco, eu sentia frio na barriga, o Hino da Umbanda começou a tocar, entramos no Terreiro e lá estava eu, um elo da corrente do Caboclo Akuan. Devo confessar que ainda sinto o mesmo frio na barriga antes de cada Gira, é como se cada uma fosse a primeira, além do mais, as 7 Giras antes de entrar se refletem na semana, eu espero os dias passarem para que chegue sábado e eu possa trabalhar com os guias.
Contudo, contei esta história para que eu possa falar com orgulho, sou umbandista, Saravo o Pai Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas, Saravo o Pai Fernando e o Terreiro do Pai Maneco, "essa corrente é de ferro é de aço, com alma e coração!". Acho que a melhor forma de celebrarmos esta data é mostrando nosso peito que estampa a bandeira de Oxalá, a bandeira da Paz. Salve a Fé, Salve o Amor, Salve a Caridade, Salve todos os Terreiros de Umbanda e Salve a Umbanda Sagrada! Axé!
Salve o Hino da Umbanda, Salve a Umbanda, Salve o Caboclo das Sete Encruzilhadas e todos os Caboclos da Umbanda, Saravá!
Forte Axé a todos!

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